Uma breve História sobre a incofidência mineira
Tiradentes
Tiradentes,
cujo verdadeiro nome era Joaquim José da Silva Xavier, foi um militar
brasileiro conhecido por seu envolvimento na Inconfidência Mineira. Ele foi
alferes dos Dragões Reais de Minas e responsável por monitorar o Caminho Novo.
Ficou marcado por ter sido executado a mando da Coroa portuguesa, sendo
enforcado e esquartejado.
Tiradentes
atuou como propagandista da Inconfidência Mineira, viajando e conquistando
apoiadores para a conspiração. Denunciados, Tiradentes e outros foram presos
pelas autoridades portuguesas. Sua morte aconteceu em 21 de abril de 1792, e
tal dia é considerado feriado nacional.
Nascido em 12
de novembro de 1746, na então capitania de Minas Gerais, durante o Brasil
colonial, José Joaquim da Silva Xavier desempenhou várias profissões. Entre
elas, estava a de dentista amador, por isso foi apelidado como Tiradentes. Além
de dentista, Tiradentes tentou a sorte como tropeiro (condutor de tropas de
animais transportadoras de mercadorias), minerador e mascate (mercador
ambulante), mas fracassou em todas.
A única
profissão que lhe rendeu estabilidade foi a de alferes (patente abaixo da de
tenente) da cavalaria de Dragões Reais de Minas, a força militar atuante na
capitania de Minas Gerais e subordinada à Coroa portuguesa. Ele chegou a
comandar a tropa que monitorava o Caminho Novo, estrada que ligava Vila Rica ao
Rio de Janeiro.
Antecedentes da morte de Tiradentes
Tiradentes,
apesar de não ser um intelectual, interessava-se por escritos políticos, como
as leis constitucionais dos Estados Unidos, país que havia conquistado a sua
independência em 1776, quando o alferes tinha 30 anos de idade. Seus interesses
políticos aos poucos foram se divergindo dos interesses de outros habitantes de
Vila Rica, o centro da atividade mineradora do Brasil na época.
Intelectuais
como Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, ambos poetas e
conhecedores das ideias filosóficas do iluminismo francês, foram algumas das
personalidades importantes com as quais Tiradentes se juntou com o objetivo de
retirar do poder o então governador da capitania de Minas Gerais, nomeado pela
Coroa portuguesa, Visconde de Barbacena. Mas qual era o motivo para tal
revolta?
O motivo
principal que animava Tiradentes e os outros envolvidos na Inconfidência a se
levantarem contra o governo de Visconde de Barbacena e o Império Português era
a constante retirada das riquezas da região por meio de impostos excessivos. Do
ouro produzido na capitania de Minas de Gerais, a Coroa portuguesa cobrava o quinto,
isto é, o equivalente a 20% do total extraído.
Ocorreu que, a
partir da década de 1760, a extração de ouro regrediu consideravelmente, mas
não o valor do imposto. A taxa do quinto continuou a ser exigida dos
mineradores locais, e o governador Barbacena, para fazer valer a lei, chegava
até a impor agressões físicas. Além disso, Portugal exigia uma cota anual de
ouro no total de 1500 quilos. Com a redução na extração do ouro, uma grande
dívida começou a ser formada pelos colonos em relação à Coroa.
O problema
agravou-se mais ainda quando, para reverter a margem defasada dos impostos
recolhidos, a Coroa portuguesa autorizou a implementação da chamada derrama. A
derrama obrigava os mineradores a cobrirem suas dívidas com suas posses, isto
é, tudo aquilo que lhes pertencia como objeto de valor, o que faltava na
quantia do quinto.
Isso
significava que o rombo provocado no pagamento do imposto à Coroa, resultante
do declínio da mineração, teria que ser pago com outras formas de obtenção de
dinheiro, como por pedágios cobrados sobre o uso das estradas, com escravizados
etc. Todos eram forçados a pagar a derrama. A convocação de uma derrama deu
força a uma conspiração contra Portugal, e Tiradentes uniu-se a esse movimento.
Participação de Tiradentes na
Inconfidência Mineira
A conspiração
dos inconfidentes começou a ser preparada em 1788 para que as ações passassem a
se realizar no ano seguinte. Tiradentes, por sua personalidade agitada, ficou
conhecido como o mais radical dos inconfidentes, como diz o pesquisador Lucas
Figueiredo, em seu livro Boa Ventura! A corrida do ouro no Brasil (1697-1810):
Um radical
entre moderados, um franco entre dissimulados, ele defendia — publicamente e em
qualquer lugar (de bordéis a residências de ricos mercadores) — uma revolução
que tornasse Minas Gerais independente de Portugal. “Era pena”, dizia o
alferes, “que uns países tão ricos como estes [as Minas Gerais] estivessem
reduzidos à maior miséria, só porque a Europa, como esponja, lhe estivesse
chupando toda a substância”.
Tiradentes
chegou a tramar a morte do Visconde de Barbacena, e isso só não foi
concretizado porque Barbacena, por meio da confissão de um dos inconfidentes,
Joaquim Silvério dos Reis, desmantelou a trama e prendeu todos os envolvidos.
Além disso, Tiradentes atuou como propagandista, procurando conquistar
apoiadores para a conspiração.
Por que Tiradentes foi condenado à
morte?
Muitos dos
inconfidentes presos, temendo severas punições, não confessaram seus crimes. O
único a assumir sua participação na conspiração foi Tiradentes, que, por isso
mesmo, recebeu a pena mais dura, em um processo transcorrido na cidade do Rio
de Janeiro que só teve fim em 21 de abril de 1792.
Tiradentes “foi
enforcado, decapitado e esquartejado. Para que os súditos da Coroa nunca se
esquecessem da lição, a cabeça de Tiradentes foi encravada em uma estaca e
exposta em praça pública em Vila Rica, e seus membros, espalhados pela estrada
que levava ao Rio de Janeiro.”
Tiradentes foi um herói nacional?
A partir da
segunda metade do século XIX, a imagem de Tiradentes foi resgatada e ele passou
a ser divulgado como um herói. Esse resgate aconteceu no interior do movimento
republicano, interessado em construir heróis que dessem alguma validade
histórica para o republicanismo no Brasil.
Com a
Proclamação da República, em 1889, esse movimento se tornou mais intenso, uma
vez que os republicanos estavam no poder e, agora, precisavam de ter
personalidades históricas que os representassem. Por conta disso, uma série de
pinturas de Tiradentes começaram a ser feitas,
Criação do feriado do Dia de
Tiradentes
O resgate da
figura de Tiradentes fez com que o dia 21 de abril, dia da sua morte, fosse
transformado em feriado nacional. Isso aconteceu por meio de um decreto
estabelecido durante o governo de Deodoro da Fonseca. O decreto nº 155-B, de 14
de janeiro de 1890, anunciava que o dia 21 de abril seria considerado dia dos
“precursores da independência brasileira, resumidos em Tiradentes”.
Outras leis
reafirmaram o caráter festivo do dia 21 de abril, determinando que ele seria
feriado nacional. Nesse sentido, foram decretadas leis em 1933, 1949 e 1965. No
último caso, Tiradentes foi transformado em patrono cívico do Brasil.
Atualmente, por força da lei nº 10.607, de 19 de dezembro de 2002, o dia 21 de
abril é feriado nacional.
Quem
quiser que conte outra!!!